O presidente da Associação Brasileira de Escritórios de Arquitetura (AsBEA), Ronaldo Rezende, cumpriu, na última semana de junho, extensa agenda de visitas a órgãos de governo, entidades representativas de profissionais e de empresários do Panamá e da Colômbia, em missão de prospecção de mercados, dentro do projeto de internacionalização da arquitetura desenvolvido pela entidade em parceria com a Apex-Brasil.
Acompanhado da consultora de Inteligência de Mercado do Projeto de Internacionalização da Arquitetura Brasileira, Elisenda Piñol, Rezende manteve contatos com ministros, embaixadores, chefes de executivo e entidades representantes dos segmentos arquitetura e engenharia nas cidades de Bogotá e Meldellín (Colômbia) e Cidade do Panamá (Panamá).
 |
| O Metrocable leva a população dos morros à biblioteca e à inclusão social |
Para o presidente da AsBEA, a missão trouxe constatações importantes, como a ampla receptividade que ambos os países têm em relação a negócios com o Brasil.
"Senti um clima muito favorável a negócios com o Brasil. Ou seja, não há uma resistência ao Brasil; ao contrário, há uma simpatia muito forte, tanto no Panamá quanto na Colômbia."
#i208468Para Rezende, tal interesse tem a ver com o momento vivido pelo nosso país, não só economicamente, mas em termos de liderança entre os sul-americanos.
"O fato de sediar dois megaeventos mundiais, a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016, demonstram claramente essa liderança brasileira e certamente influenciam nessa receptividade positiva", argumenta.
 |
| Pelo teleférico população tem acesso aos espaços culturais e de aprendizado |
Boas perspectivas - Na avaliação do presidente da AsBEA, a Colômbia se revelou, no momento, como excelente perspectiva em termos de negócios.
"Na Colômbia há uma considerável demanda por hospitais, shoppings centers e habitação social, para a qual, inclusive, existem subsídios governamentais. Fora isso, os colombianos têm grande interesse em investir no Brasil, seja em shoppings, hotéis ou centro de convenções, o que é bastante promissor para os arquitetos brasileiros, que poderiam cuidar não só dos projetos como funcionar como interlocutores na atração de investimentos."
O Panamá, por sua vez, registra elevada demanda na área de habitação social, mas não oferece financiamento oficial para tanto.
"O país vive o final de uma crise imobiliária que veio de carona com a americana, o que dificulta um pouco os negócios nesse campo. Para chegar à habitação social, a empresa brasileira teria que investir em outras áreas, fazendo parcerias com empresas de lá, para shoppings e segmento hoteleiro - resorts, centros de convenções", conclui.
Intercâmbio - As visitas, que começaram no dia 21/6, terminaram no dia 28/6, quando a consultora de Inteligência de Mercado do Projeto de Internacionalização da Arquitetura Brasileira, Elisenda Piñol, encontrou-se com Isabel Cristina Escobar Gomez, da Agencia de Cooperação e Investimento de Medellín e Área Metropolitana.
 |
| Embaixador brasileiro na Colômbia, Valdemar C. Leão, e Ronaldo Rezende |
"Os projetos desenvolvidos em Medellín começam a ser referência mundial, sobretudo em países em desenvolvimento, como exemplo de inserção social", destaca Elisenda, lembrando que esse aspecto pode resultar num intercâmbio muito salutar entre arquitetos brasileiros e colombianos:
"Os arquitetos brasileiros têm uma expertise forte em moradias sociais e bastante experiência em termos de materiais alternativos, o que vai ao encontro às necessidades na Colômbia. Por sua vez, os arquitetos colombianos têm know-how no desenvolvimento de projetos urbanos com foco em inserção social, o que pode gerar um intercâmbio muito proveitoso para ambos os lados", diz Elisenda.
Um dos exemplos que mais impressionaram Elisenda em Medellín, que será a sede, em outubro, da Bienal Ibero-Americana de Arquitetura, foi um sistema de teleférico (Metrocable), que liga o coração da favela, nos morros, a uma moderna biblioteca instalada na periferia, como se fora uma porta de entrada para a sociedade organizada.